quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Toma e embrulha

Hoje enquanto esperava pelas horas, resolvi olhar as montras para queimar tempo.
Os meus olhos bateram numa loja de bairro pequena e antiga. Daquelas cuja montra não obedece a regras de estética, design ou marketing.
Espreitei para o interior e vi um velhote com ar desolado que esfregava as mãos de frio e olhava o relógio impaciente.
Tirei-lhe as medidas! Vi um homem que levava muito a sério o seu trabalho. Que abria a loja todos os dias às 8h em ponto e ficava ali de pé à espera que os cliente entrassem. Passava o tempo ansiando chegar a casa, para confirmar mal entrasse à porta, que já só aquela loja o fazia sentir-se útil.

Tinha visto uma bolsa na montra e resolvi entrar já com a intenção de a comprar.

Eu: Boa tarde. Posso ver aquela bolsa ali?
Prontamente e sem resposta o velhote dirigiu-se à montra e tirou-a.
Já estava eu de mãos e braços esticados para a agarrar, quando o velhote a puxa para ele num movimento rápido e diz:
- Você só disse que queria ver, não era para mexer!
Soltei uma gargalhada genuína. Não esperava aquela agudeza de espírito, mas gostei.
Eu: É este o preço? 6,90€, certo?
Ele: Não, são 69€.
Percebi que continuava a meter-se comigo e devolvi-lhe um sorriso.
Eu: Isso é que é boa disposição!
Ele: Esta não é época para brincar, mas não se pode levar a vida muito a sério!

Saí da loja com a sensação de ter levado uma chapada sem mão.
Percebi que aquele a quem eu não lhe via vida, está mais vivo que eu!

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