quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As Anabelas desta vida

A Anabela, que de bela tem muito pouco, sempre teve problemas relacionais.
Talvez muito por culpa da auto-estima e do amor que nunca abundou. Consequência de uma irmã que nada deve à beleza.
Ouvidos cansados tem ela, coitada: "a minha Anabela é a mais estudiosa, mas já a irmã é a mais bonita!"

Edmundo coração mole, é de poucas falas. Só teve duas namoradas e a primeira nunca a viu.
A primeira era virtual, e por isso perfeita.
Não precisava arranjar-se ou tomar banho. Poupava-se à maçada de ter que sair de casa e até, espante-se, marcar encontros. Falar é coisa que não o assiste.
Conheceram-se num fórum sobre videojogos, mas rapidamente os assuntos que os ligavam desceram de nível. Perfeito! Edmundo tinha uma namorada, e tocava-se na intimidade do seu quarto sempre que esta descrevia pormenores da sua indumentária ordinário-animé. Um estilo muito apreciado por ele!
A segunda namorada, é a Anabela.

São indivisíveis, são um só! Tanta é a osmose e tão pouca é a personalidade, que aos olhos de qualquer outro, passam por irmãos de sangue.
Quando fazem amor, Edmundo nunca tira as meias. Não vê necessidade e acha que isso são ideias que ela tira das revistas. Modernices!
Às necessidades básicas de cariz pornográfico do Edmundo, Anabela nunca diz que não.
Ela acha que orgasmos são coisas inventadas pelas personagens de series americanas. Aquelas series para mulheres vadias.
E por isso, Anabela aguenta deitada. Porque um dia lhe disseram que o amor é assim mesmo, feito de sacrifícios.



à semelhança de: As Lilianas Marizas desta vida

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