domingo, 11 de março de 2012

Mas há Kony ou não há Kony

Esta semana soube do movimento Kony como meio mundo ficou a saber também.
Fiquei chocada com o que li e vi, mas também emocionada com o poder de alguém bem intencionado e com vontade de ajudar.
Pouco depois de ler os textos que incentivavam a que todos espalhássemos a mensagem sobre o Kony, encontrei muitos outros que informavam que a ONG criada contra o Kony era uma fraude.
Fiquei triste, não sabia se seria mais uma teoria da conspiração, mais um "bota-abaixo" que as pessoas tanto gostam de promover ou se estávamos mesmo a ser enganados.

Continuo sem saber se é verdade ou se é mentira, mas muitas ilações tristes eu pude tirar disto tudo.
Primeiro, os textos que revelavam que o movimento contra o Kony era mentira, cingiam-se basicamente ao facto de haver gente a doar dinheiro, e que esse dinheiro só servia para encher os bolsos do homem que decidiu pôr a boca no trombone!
Ora, se houve alguém (com intenção de encher os bolsos ou não) que decidiu tirar o cu do sofá e fazer do mundo um sitio mais saudável, porque é que havemos de estar mais preocupados com o dinheiro que ele vai arrecadar ou não?
Ok é verdade, é importante informar pessoas mais sensíveis, que possam doar o que têm e o que não têm, que o dinheiro que estão a doar não está a ajudar directamente quem julgam.
Mas no meio disto tudo, o que menos me importa é que a pessoa que foi lá e pôs o dedo na ferida, esteja ou não a ganhar dinheiro com isso! Caramba, foi ele quem deu o pontapé, sacudiu o pó, levantou o rabo do sofá. Mexeu-se porra!!! Faz-me lembrar um pouco aquela inveja típica de quem consegue coisas boas na vida. Mas os invejosos esquecem-se, que antes das férias maravilhosas que os outros tiveram ou do carro fantástico que compraram, houve (muitas vezes) bastante trabalho. E só não ouviram os outros queixar-se porque o fizeram com genuíno prazer. Mas isto é conversa que dava para outro texto!

Agora também já apareceram vídeos de pessoas no Uganda a desmentir tudo o que o movimento anti Kony tem vindo a promover. Será? Será que é mesmo tudo mentira? Será que aquele vídeo com um miúdo que chora a contar a sua história de vida, a forma como foi raptado, como viu o irmão ser morto, é tudo mentira?
Há imensa gente a gozar com isto e a dizer: "Já sabia que isto era mentira!" ou "As pessoas são mesmo estúpidas por acreditarem nestes vídeos!". Oh santa ignorância, voltamos ao mesmo. Agora o mais inteligente é quem descobriu antes de todos que se tratava de uma farsa.

Não sei se fique contente ou apavorada! Se isto for realmente tudo mentira, é preocupante. Sinto-me totalmente desprotegida, porque amanhã pode ser comigo e já ninguém acredita mais em ninguém.

3 comentários:

  1. Olha o petróleo é isso que me assusta mais! Medidas e jogadas que os EUA têm sempre na manga! Jogo sujo! enfim! WTC foi um bom exemplo ;)

    Bom texto ;)

    ResponderEliminar
  2. Inconscientemente, a partir do momento em que tive conhecimento desta visão alternativa do que seria o real objectivo do movimento KONY 2012, sempre que olho para o logótipo que representa a causa imagino uma broca coberta de petróleo, com uma ânsia insaciável de continuar perfurar. Seria demasiado irónico. Ou talvez não.
    Encontro-me, humildemente, num limbo de pensamento. Entre achar isto uma palhaçada pegada, pretexto para o que já cansa ou uma causa nobre, tornada projecto de vida por um Americano humanitário que quer tornar o mundo um lugar melhor.
    Parece demasiado mal planeado para acreditar que seja música para os nossos ouvidos:
    Se esta perspectiva da situação que expõe o real "movimento KONY 2012" está a ser, previamente, tirada da sombra como será sequer possível que os EUA levem a cabo, com sucesso, o que planearam?
    Como se ainda é dia 13 de Março e só explode a 20 de Abril?
    O que vão as notícias e os comentadores dizer?
    Bem, pensando melhor... no 11 de Setembro isso funcionou bastante bem:
    Convenceram-nos que o país mais poderoso do mundo, que nunca tinha sido atacado no seu próprio solo, tinha sido alvo de um ataque terrorista, planeado por um rebelde das montanhas que fez com que as duas torres mais altas do mundo caíssem como uma construção de legos. Depois foi só publicitar a coisa. "Terrorismo" passou a ser uma palavra muito mais conhecida. Convenceram-nos do improvável. O que não foi difícil, uma vez que o improvável tinha mesmo acontecido. Ofuscaram-nos com informação conveniente (palha,vá) e canalizaram a dor e raiva do atentado para o médio oriente, (onde por acaso havia cenas maradas, que depois de uns processos marados fazem com que os carros andem) encobrindo tudo quanto eram incongruências. Clever, sim senhor
    Mas quê?! Agora querem fazer mais do mesmo? Parece-me um raise de alta qualidade, mas ao mesmo tempo tão débil, pela sua ousadia, que se torna demasiado estranho.
    É complicado entender o que realmente se passa aqui, é complicado abstrairmo-nos do miúdo a chorar no vídeo, das imagens de crianças mutiladas, da vontade em contribuir para a causa, da possibilidade de fazer algo verdadeiramente importante. Porém, e mais uma vez, é necessário que pensemos por nós próprios e sejamos objectivos. Não deixando que a causa que defendemos nos provoque nenhum tipo de cegueira para com o evidente. É fulcral, para que tenhamos uma visão clara, observar, avaliar e concluir imparcialmente. É sobretudo isso que é importante.
    Sendo KONY 2012 um monte de balelas, ou não, sabe bem ver que ainda existe um sentido de interajuda, compreensão, compaixão e justiça entre nós, humanos.
    Quanto ao resto, "Ser, ou não Ser." remains the question.

    ResponderEliminar
  3. Odeio teorias da conspiração por roçarem quase sempre a fanatismo, mas essa é uma bela observação Miguel.
    É muito mau o sentimento de impotência e a percepção de que somos uns bonequinhos manipulados por gente sem escrúpulos.

    Como disseste '"Ser, ou não Ser." remains the question.' e ficamos aqui sentadinhos a assitir à jogada seguinte.

    ResponderEliminar