segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O peso dos outros e a nossa culpa

As pessoas à nossa volta exigem-nos coisas a toda a hora (pais, amigos, vizinhos, chefes), e cabe-nos a nós decidir se queremos aceitar essas exigências ou não. 
Parece simples, não é? Mas não é!

É habitual sentirem-se culpados porque alguém exigiu de vocês algo que não são ou não fizeram? Do género: o pai que compara o filho com o vizinho que é sempre mais bem comportado, tem sempre melhores notas e é basicamente uma jóia de moço, o chefe que está sempre lá implacável, para apontar o dedo a tudo o que fazem menos bem, ou a senhora da loja que coloca em nós a culpa de algo que ela não quer assumir.
Pois é, se sim, sabem o quanto isso é irritante, desmotivante e destrutivo. 

Sempre que isso acontece, há uma tendência errada para assumirmos a culpa. Sentimo-nos incompetentes, a auto-estima diminui, pomos em causa as nossa capacidades e olhando apenas para o nosso umbigo perguntamo-nos: "o que é que eu faço de errado?", "porque é que ele me fala assim?" ou "porque é que ela não gosta de mim?". 
A boa noticia, é que essa culpa é um peso que não é nosso. Então, vamos deixar de nos centrarmos em nós e em vez isso, observar o outro!

Quando nos apontam o dedo dessa forma, normalmente interpretamos isso como um ataque e automaticamente colocamo-nos na defesa. É automático, sem pensar.
Se pararmos para interpretar as razões que levam o outro a agir dessa forma, percebemos que aquelas acções não são um ataque mas sim uma forma de defesa.
Para conseguir ter percepção disso no momento em que a situação acontece, é imprescindível "estar no presente", é necessário estar-se bem conectado connosco e com o que se está a passar à nossa volta.

Nesses momentos, se conseguirmos observar o outro como se estivéssemos à distancia (como que a observar a personagem de um filme), podemos compreender que esses ataques não são mais do que defesas que resultam de uma fraqueza qualquer. Pode ser a frustração de uma mãe que usa o filho como extensão dela para realizar coisas que ela idealizou e não consegue alcançar, pode ser o chefe inseguro das suas capacidades que quer por no empregado a culpa da sua frustração, ou a empregada de loja que sabendo da sua incompetência/falta de atenção tenta disfarçar esse facto passando a "bata quente" à pessoa mais próxima. 

Em vez de nos perguntarmos "o que é que eu fiz de errado?" ou "porquê comigo?", passemos a perguntar-nos: "porque é que ele(a) me está a dizer isto?".

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